Nem de propósito
Um botão precioso que usa a inteligência artificial para detectá-la. É a consciência artificial da inteligência.
Olha, tem graça. Tínhamos acabado de falar na Inteligência Artificial - vide Nós, os obsoletos - e percebi agora - ontem, mais concretamente - que o Substack passou a disponibilizar um botão para detectar conteúdos produzidos por ela ou com a sua ajuda. Se já gostava disto, agora gosto por amor. Para casar. É possível casar com uma plataforma de newsletters? Pela Igreja, duvido. Mas o Estado só quer taxas e emolumentos, portanto não vai levantar questões.
Matrimónio talvez seja exagerado, mas o Substack merece uma dedicação maior depois disto. Desactivei permanentemente duas redes sociais - Twitter e Bluesky. Assim não há tentações. Estamos focados, como diz o primeiro-ministro com muita frequência e uma única vez já eram imensas.
Desabafei, há algum tempo, não me recordo onde e talvez tenha sido numa daquelas duas redes, que pagava e pagava bem por uma aplicação que me deixasse longe de qualquer conteúdo gerado por IA. Texto, imagem, sons, qualquer coisa. A ideia era simples: o sistema detectava tal origem e já não nos aparecia nada. Fosse o que fosse. Que sonho.
Este botão do Substack, que ainda não estudei assim tão bem, não é isto. Mas anda lá perto. Permite identificar conteúdos com aquela chancela, no todo ou em parte. Para quem quer resistir e continua a defender que a estupidez natural tem de ser o futuro, é então um botão para gastar. Para perder a cor de tanto uso. Para saltar como as teclas dos nossos teclados; neste já me faltam duas, outras não estão identificadas.
Não é fácil agradar a todos, por isso já encontrei algumas críticas. A mais ouvida é isto de se confiar na Inteligência Artificial para detectar a Inteligência Artificial. A “máquina” a controlar tudo, até a própria. É uma delegação de competências que não me choca, desde que seja fiável. Até ver, consegue detectar bem.
Irónico é, com certeza, mas quem é que não aprecia uma boa ironia? A Inteligência Artificial a confirmar que um conteúdo foi por ela gerado é como o hacker que acaba contratado pelo FBI. Ou como um burlão que não nega, se lhe perguntarmos, que se trata de uma burla.




O meu problema é se o tipo que comprou a AI que controla a AI é o mesmo que comprou a AI controlada pela AI. Fora isso, está tudo bem ;))
também apaguei o Twitter — ou X, ou lá como aquilo se chama, estou prestas a desativar outra lixeira o facebook