18 Comentários
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Avatar de Tomás Costa

A mobilização de ontem provou que o adiamento das eleições não só não era necessário como não era sequer adequado. Nem na pandemia ocorreu tal coisa e nessa altura havia centenas de milhares de pessoas impedidas (impedidas mesmo) de votar. Muitas vezes concordo consigo, mas desta vez não consigo compreender a insistência neste ponto.

Avatar de Zé Pedro Silva

Não é insistência e discordar faz parte, é saudável. Se a mobilização fosse outra, já fazia sentido? A questão não deve ser de princípio? A pandemia, como referi, não tinha fim à vista. Tinha de se realizar eleições. Não havia outra hipótese. Aqui seria, no máximo, uma semana. Dar mais algum tempo para se recuperar e para se fazer campanha e debate, que acabou por não existir como devia. Acho é que ninguém quer discutir nada. Quando o presidente convoca as eleições, dentro do prazo legal, não imaginas o que é equacionado para escolher uma semana ou outra. Mas, no decorrer das eleições, passar de um domingo para o seguinte já seria uma facada na democracia. Não compreendo este ponto de vista, mas respeito a tua opinião. Acho que, num caso ou noutro, não é grave. E não é insistência alguma, o tema nem é esse. É quase um preâmbulo. Há coisas muito mais importantes ali. Não é insistência.

Avatar de Joaquim Ribeiro

Não concordo que coloques uma dimensão pequena na derrota do Ventura que, com muita piada, ouvi chamar do Trump da Temu". Repara:

- não chegou aos votos do Seguro na primeira volta,

- não chegou aos votos da AD,

- não ganhou nenhum distrito,

- mesmo a vitória no estrangeiro teve uma diferença menor para o Seguro do que na primeira volta,

- teve menos de metade dos votos do Seguro,

- teve um apoio encapotado do Montenegro e do aí jesus da direita.

Tudo isto depois de ter levado até ao extremo a conversa da balbúrdia, da corrupção e dos emigrantes. E de ter sido num mano a mano com um homem desconsiderado por todos, inclusive o próprio partido.

Se isto não é uma derrota em toda a linha do Ventura e do que ele representa, não sei o que será. Tem mais valor o resultado dele na primeira volta do que este.

Apetece até perguntar, tal como na anedota da hiena, ontem o Ventura ria-se de quê?

Isto não significa que ele está arrumado. Significa apenas que ele não é tão bom (ou tão mau) como parecia e que os partidos tradicionais têm um balão de soro que convinha não desperdiçar.

Quanto ao Montenegro, é o mestre da chico-espertice. Está tudo dito.

Avatar de Zé Pedro Silva

Creio que não disse que era pequena, apenas que não concordo que seja uma derrota épica. Correndo o risco de me virem dizer que estou a engolir novamente a narrativa de André Ventura, tem este resultado sem nenhum apoio. Felizmente, defendi há largas semanas que era o perigo destas frentes e de uma segunda volta anti-ventura vs pro-ventura. Isto foi muito arriscado e aconteceu, desde logo, por erro estratégico de uma direita que não tem talento político. Era muito fácil Ventura não passar à segunda volta. E muita gente viu e avisou. Mesmo Gouveia e Melo nasce, diria, de apoios contra Marques Mendes, que foi a pior escolha possível da AD. Com a divisão, reinou quem sabemos. Na segunda volta, Ventura tem muitos votos e há um potencial que eu considero perigoso. Os votos de Seguro vão voltar para casa e estes podem - no campo das hipóteses - continuar com Ventura. Podemos sempre fazer várias leituras, Ventura faz aquela muito absurda de ter mais percentagem do que a AD. No jogo político, podemos escrever um discurso de vitória e um de derrota, arranjando argumentos para ambos. O populismo podia ter sido derrotado e duplamente (pelo Governo). Não foi. Isto num projecto político com 6 anos e sem apoios (o Governo é o que está mais perto disso, por neutralidade). O Movimento 5 Estrelas, que considero a melhor comparação com o Chega e com André Ventura, demorou 9 anos (salvo erro) a chegar ao poder. Este parece-me ser o caminho e tenho muita dificuldade em considerar este resultado uma derrota épica. Não tenho qualquer dúvida em chamar-lhe derrota, mas a ideia é ver em perspectiva e a médio prazo.

Avatar de Joaquim Ribeiro

Bom, mas não achas que depois de tudo o que assinalei, se conclui que, para já, o Ventura vale "apenas" 1,8 k e que para subir só será à custa de mais asneiras dos partidos não populistas?

Derrota épica seria desaparecer do mapa, mas tendo em atenção os pressupostos que referi anteriormente, foi uma enorme derrota. Não atingiu um único objetivo, para lá de ter chegado à segunda volta.

Tenho a sensação, ou então é mais vontade minha, de que o pessoal já está farto do discurso do Ventura, tirando os indefectiveis, claro. E estas eleições parecem prová-lo.

Avatar de Zé Pedro Silva

Alguns objectivos foram colocados pelo próprio, que nunca é racional. Veja-se as autárquicas. Diz tudo, pode dizer tudo. Acho a votação elevada. Tinha apostado que iam estar mais próximos, desde logo por não apostar neste resultado de Seguro. O centrão está vivo e ainda bem. Mas a votação em AV é expressiva, apesar de tudo. Derrota épica, para mim, era não ter mais votos. Não crescer. Ser eventualmente castigado pelo aproveitamento da desgraça e cair alguns votos. Só pode manter e continuar a subir com as asneiras dos outros, nisso estamos de acordo. Mas é essa a previsão para os próximos tempos: asneiras. Que se está farto, sim, a mobilização do centrão prova isso, mas noutras eleições tudo muda, porque não vai tudo votar em Carneiro ou noutro qualquer. E a frente de Ventura cresceu. Se as asneiras dos outros forem mesmo muito grandes e demonstrar alguma moderação táctica, está em São Bento. E não estava. Se se tivesse concluído que tinha atingido o tecto, era preferível e seria uma derrota épica. A ideia da derrota épica é o espaço moderado em negação, em parte graças à tal fasquia alta. Mas há crescimento do populismo e não é assim tão pequeno.

Avatar de Joaquim Ribeiro

Ok, discordamos na análise. Eu acho que o resultado do Ventura é uma grande derrota e tem até o significado de mostrar o seu atual potencial. Talvez embebido pela minha análise, sinto-me um bocadinho optimista quanto ao futuro. Tu próprio esperavas uma diferença menor entre os dois.

Não tenho a certeza que a votação no Seguro represente o centrão. Quero acreditar que seja mais um voto na democracia que é, talvez, o mais importante nestes complicados dias. Seja como for, acho que podemos dizer que estamos melhor do que as expectativas.

Avatar de Zé Pedro Silva

Mas eu também acho que foi voto na democracia, foi é o centrão a mostrar a sua força, porque os votos à esquerda são os que estão na primeira volta. Daí a minha comparação entre o centrão e o anticiclone dos Açores, que pode travar tempestades, deslocando-se. É surpreendente e animador ver um centrão destes, que rejeita o populismo e não quer "mudar o regime". Sobre a dimensão da derrota é que discordamos. Um cavalheiro que não era sério a discutir futebol, sozinho e sem apoios, 6 anos depois, ter mais de um milhão e setecentos mil votos? Isto é uma bomba que pode estoirar numas legislativas. Mas com toda a força. Em 3 anos ninguém faz reformas grandes ou pelo menos os resultados não chegam. Pior: a situação económica deve agravar-se com o fim dos fundos e o aumento de despesa que temos com as tempestades internas e as guerras externas. Para além disso, não sei se aquele espaço político não terá novidades. Não é só não ver a derrota épica, eu vejo a tempestade perfeita a formar-se.

Avatar de Joaquim Ribeiro

Já estás a dar cabo do meu optimismo. :((

Avatar de J PEDRO BALTASAR

Cá vamos, cantando e rindo. E, nada que ver com doutrinas de outros tempos. Acho graça levarmos este país a sério, e discutir-se acaloradamente a repetição do que já vimos em repeat, incessantemente, desde o 25 de Abril. Descansem e vão para o sofá ver a bola - quem paga o canal, claro -, que isto vai tudo estar igualzinho daqui a três anos, como afiança o novo presidente. Este verão, já sabem, não vão para a mata, porque vai arder tudo outra vez e o primeiro ministro na praia. A não ser que demore tanto a secar tudo isto, que chegue o verão e a lenha nem pega.

Avatar de Zé Pedro Silva

Ahaha, sempre o mesmo pessimismo. Mas percebo. E também aposto na repetição. Mas só levo o país mais ou menos a sério. Nunca totalmente.

Avatar de Nuno Rosalino

Não entendo, de todo, que se engula assim narrativa do nosso Trump dos Trezentos, que não passa de uma tentativa transparente de colocar em causa a validade do processo eleitoral. As eleições foram adiadas nos locais afetados. Como é que calamidades regionais justificam adiamentos a nível nacional? E a que nível de granularidade levamos este raciocínio? É válido se for ao nível de uma cidade? De uma vila? De uma casa? O Sr. Hipotético Alcino, cujo teto abaulou por incúria do vizinho de cima, é menos do que os outros? É preciso ter um número bem-redondinho (30 mil!) para cancelar tudo? Então cancelam-se as eleições todas em Portugal até retificarem o voto na diáspora, porque não são 30 mil que têm de cruzar montanhas para votar, são 1,7 milhões.

Avatar de Zé Pedro Silva

Preferia que não tivesses dito que engulo narrativas seja de quem for. No caso particular, defendi o que aqui disse - está gravado, registado e publicado -, muito antes de André Ventura. Levando como ofensa e das grandes, prefiro não te responder.

Avatar de Nuno Rosalino

Estás no teu direito. Como dizem os anglófonos, offense is taken, not given. Não deixa de ser curioso tratares a expressão "engolir narrativa" como uma tremenda ofensa mas, no texto, caracterizares a posição oposta como "histerismo". 🤷‍♂️

Avatar de Isabel Aguiar Pestana

Obrigada,eu não vi a distribuição de votos ao pormenor,mas fiquei com a ideia de que os votos em ventura são em locais que não dão deputados!!! ou sou eu a querer muito isso ( 1 em cada 3 portugueses votaram nele,onde?)